Impeachment histórico encerra gestão de Júlio Casares no São Paulo

 
O São Paulo viveu um dos episódios mais marcantes de sua história administrativa com a aprovação do impeachment do presidente Júlio Casares. Em reunião realizada na noite de sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo decidiu pelo afastamento do dirigente, tornando-o o primeiro presidente do clube a sofrer impeachment durante o exercício do mandato. A votação foi expressiva: 188 conselheiros se manifestaram a favor da destituição, superando com folga o quórum mínimo exigido.

A sessão contou com a participação de mais de 220 conselheiros, de forma presencial e remota, em modelo autorizado por decisão judicial. Uma liminar da 3ª Vara Cível do Butantã havia estabelecido que seriam necessários 171 votos para a aprovação do impeachment, percentual inferior ao previsto originalmente no estatuto, após questionamentos sobre a legalidade das regras internas. Com isso, o caminho ficou aberto para a deliberação final do Conselho.

O processo de impeachment teve como base denúncias de supostas irregularidades na comercialização de um camarote do estádio do Morumbis para eventos internacionais, assunto que ganhou repercussão nacional após reportagens exibidas na imprensa, incluindo programas de grande audiência da televisão aberta. As acusações ampliaram a pressão política sobre Casares e aceleraram a perda de apoio interno, inclusive entre antigos aliados.

Nas semanas que antecederam a votação, o então presidente chegou a ser aconselhado a renunciar para evitar o desgaste institucional do clube. A possibilidade, no entanto, foi descartada por Casares, que optou por enfrentar o julgamento do Conselho Deliberativo. Paralelamente, tentativas de alteração do rito do impeachment acabaram sendo barradas pela Justiça, o que impediu a elevação do número mínimo de votos necessários para a cassação.

Com a aprovação do impeachment pelo Conselho, o caso segue agora para a Assembleia Geral de Sócios, que deverá ser convocada em até 30 dias para ratificar ou não a decisão. Caso a Assembleia confirme o afastamento, Júlio Casares perderá o cargo de forma definitiva e poderá ser desligado do quadro associativo do clube. Existe ainda a possibilidade de renúncia antes dessa etapa, alternativa prevista no estatuto e que evitaria a expulsão automática.

O episódio coloca Júlio Casares ao lado de outros dirigentes do São Paulo que já enfrentaram processos semelhantes ao longo das últimas décadas, embora em contextos distintos. Desta vez, porém, o desfecho foi inédito: a interrupção formal do mandato por meio de impeachment, resultado de um conjunto de denúncias, decisões judiciais e perda de sustentação política interna.

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